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ECG NA EMERGÊNCIA
BRAZILIAN JOURNAL OF EMERGENCY MEDICINE VOLUME 04 | NÚMERO 1 / 2-4 DOI: 10.5935/2764-1449.20240002
Hipercalemia severa mimetizando Infarto Agudo do
Miocárdio e Taquicardia de QRS Alargado - Relato de caso
Jobert Mitson Silva dos Santos, Bruna Marques Barreto, Tainah Holanda Santos
Paciente quinquagenário, sexo masculino deu entrada no departamento de emergência de um hospital terciário de
Fortaleza devido a choque séptico de provável foco pulmonar, intubado no contexto de insuficiência respiratória
aguda e evoluindo com Injúria Renal Aguda de provável etiologia transinfecciosa.
Sem história pré-intubação de dor torácica. Durante a análise dos exames, foi visto um eletrocardiograma rodado há
aproximadamente uma hora com padrão de bloqueio de ramo direito e elevação de ST mais evidente em DIII e avF
com infradesnivelamento de ST em DI e avL (Imagem 1).
Imagem1. ECG com padrão de bloqueio de ramo direito e elevação de ST mais evidente em DIII e avF com
infradesnivelamento de ST em DI e avL.
Realizado POCUS para avaliação cardíaca, não sendo vista nenhuma lesão segmentar apesar de ter sido visto
supradesnivelamento de ST em parede inferior. Coletada gasometria arterial que evidenciou acidose metabólica grave
e hipercalemia severa (K+ = 9,1). Quando as medidas especificas estavam sendo preparadas foi visto na cardioscopia
uma taquicardia de QRS alargado com FC de aproximadamente 138 (Imagem 2).
Optou-se pela realização de 20mL de Gluconato de Cálcio em Bolus, com reversão da taquiarrimtia e desaparecimento
da taquiarritmia e do supradesnivelamento de ST na cardioscopia após a reversão. (Imagem 3)
O paciente seguiu sem lesão segmentar ao POCUS, optando-se por manter tratamento da sepse e entrar em contato
com a equipe de nefrologia para realizar terapia de substituição renal.
A hipercalemia é um dos distúrbios eletrolíticos mais frequentes do departamento de emergência. Sabe-se que o potássio
se encontra em praticamente todas as fases do potencial de ação do cardiomiócito, motivo pelo qual seus respectivos
distúrbios (Hipercalemia e Hipocalemia) têm a capacidade de alterar o eletrocardiograma do meu paciente de inúmeras
formas, alterando despolarização atrial, despolarização e repolarização ventricular além de gerar distúrbios de ritmo
e alterações severas na frequência cardíaca.
A hipercalemia também tem a capacidade de simular o padrão eletrocardiográfico de várias patologias críticas. (como
Infarto agudo do miocárdio, tromboembolismo pulmonar e a síndrome de Brugada). A elevação de ST (padrão de pseudo-
IAM) na hipercalemia se deve principalmente ao encurtamento da fase 3 do potencial de ação do cardiomiocito. (1)
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