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Está bem estabelecido que o baixo volume corrente minimiza os danos potencialmente iatrogênicos da ventilação mecânica. O que está menos claro é o uso da pressão expiratória positiva (PEEP) mais alta em pacientes sem síndrome do desconforto respiratório aguda grave (SDRA).

Embora a PEEP reduza a abertura e fechamento cíclicos dos alvéolos durante a ventilação, uma PEEP mais alta também pode levar a uma nova lesão pulmonar (lesão induzida pelo ventilador), prejudicar a hemodinâmica e atrasar desmame da ventilação mecânica.

Sobre o Estudo:

Pergunta: Para pacientes internados em terapia intensiva que fizeram uso de ventilação invasiva por razões diversas que não SDRA, uma estratégia de ventilação com baixa PEEP seria não inferior a estratégia com PEEP mais altaem relação a número de dias livre de ventilador no dia 28?

Método: estudo multicêntrico, randomizado, conduzido em 8 UTIs na Holanda. Randomizaram cerca de 980 pacientes, divididos em dois grupos: baixa PEEP (0 - 5 cm H2O) e alta PEEP (8 cm H2O).
Em ambos os grupos o alvo de SpO2 foi de 92 a 96% e o alvo de PaO2 foi de 60 a 85 mmHg

Resultados: Os resultados mostraram uma média de 18 dias livres do ventilador na estratégia da PEEP baixo, versus 17 dias na estratégia de PEEP alta.

Limitação: O motivo de intubação não foi equilibrado entre os grupos. O grupo de baixa PEEP apresentou mais pacientes intubados por pós-operatório (16,4% vs 12%), já o grupo de alta PEEP apresentou mais pacientes intubados por parada cardíaca (25,8% vs 28,8%).
Este é um ponto interessante a ser analisado, pois esse desequilíbrio tende a favorecer ao grupo de estratégia de PEEP mais baixa.

Conclusão: Neste trial a estratégia de PEEP baixa se mostrou não inferior (tão boa quanto) a estratégia de PEEP alta para pacientes sem SDRA. Encontrar a PEEP ideal pode ser desafiador e provavelmente está relacionado ao grau de alveolos recrutáveis.